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RECIM
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Design

Atualizado: 6 de set. de 2025

Livro Design
 Design l RECIM - Revela blog


Micer Santos

Micer Santos: Eu sempre tive a sensação de que design não era só “deixar bonito” tinha algo ali que eu não conseguia explicar direito, mas sentia que era mais fundo, mais essencial. Aí, quando peguei o Design, do John Heskett, foi como se ele tivesse colocado ordem naquela bagunça de ideias que vivia rondando minha cabeça. Sabe quando você lê algo e pensa: “é isso que eu queria ter dito esse tempo todo”? Foi bem isso.

O Heskett não escreve como quem quer impressionar. Ele vai direto, com uma clareza que às vezes até assusta. Vai costurando ideias, contextos e perguntas que fazem a gente pensar não só sobre o design, mas sobre como ele se mistura com tudo que existe. Não tem fórmula nem resposta pronta mas tem lucidez. E, acima de tudo, tem generosidade. Você sente que ele quer te levar junto, não te deixar pra trás.


Uma parte que me atravessou de verdade foi quando ele começa a falar da história do design desde a Revolução Industrial até o design centrado no usuário. Eu precisei parar, respirar e reler. De repente, a história do design virou um espelho do nosso tempo: cheio de urgências, de pressões, de mudanças que a gente nem sempre consegue acompanhar. Me vi pensando: que tipo de designer eu estou sendo agora? E que tipo eu quero ser, com tudo isso acontecendo?

E aí veio outra pancada: a questão da responsabilidade. Heskett não diz com essas palavras, mas o recado é claro design tem consequência. Não é neutro, nunca foi. Cada escolha que a gente faz mexe com a vida de alguém, mesmo quando a gente não percebe. Essa parte ficou na minha cabeça dias depois. Fiquei lembrando de projetos antigos e me perguntando: “será que eu pensei direito em quem ia usar isso?”.


Depois de fechar o livro, passei a prestar mais atenção nas coisas pequenas. Tipo uma embalagem de sabonete no supermercado. Ou o jeito como as cadeiras estão dispostas numa sala de espera. Até o barulhinho que um app faz quando carrega. Antes passava batido, mas agora… agora eu fico pensando que tudo isso foi desenhado, escolhido, colocado ali com uma intenção ou sem nenhuma, e aí está o problema. O design dá forma, mas também dá sentido. E quando ele não pensa, ele pesa.


Se você anda meio perdido no meio de tanta definição solta por aí entre o que é design gráfico, estratégico, de serviço, de experiência, de tudo esse livro pode te ajudar a respirar. Ele não simplifica, mas ele clareia. Pelo menos pra mim, foi um daqueles livros que você termina e continua pensando. E o mais curioso: eu terminei com mais perguntas do que respostas… mas pela primeira vez, eram perguntas boas.


Quem Assina

John Heskett

John Heskett foi um dos pensadores mais influentes na articulação do design como força econômica, cultural e social. Com formação em história e longa trajetória acadêmica, ele se destacou por ampliar o entendimento do design para além da forma enxergando-o como motor de inovação, estratégia e valor público. Heskett ajudou a consolidar a ideia de que o design não é uma ferramenta estética e funcional, mas também uma linguagem estruturante das sociedades modernas, capaz de moldar comportamentos, políticas e sistemas produtivos. Sua abordagem é rigorosa e, ao mesmo tempo, profundamente humanista, sempre conectando as decisões de projeto com seus impactos sociais mais amplos.


Design

Ano: 2008

Idioma: Português

Páginas: 142

Editora: Ática

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