Branding e a Roma Antiga
- Micer Santos
- 10 de abr. de 2024
- 6 min de leitura
Atualizado: 9 de nov. de 2025

4º artigo da nossa série, em que compartilharemos reflexões, descobertas e diálogos relacionados ao branding. Investigando desde as civilizações antigas, como a Mesopotâmia, até as tendências que moldam o século XXI. melhore o texto
Estratégias de Poder e Legado
A Roma Antiga, um dos maiores impérios da história, dominou vastos territórios e também desenvolveu estratégias sofisticadas para consolidar seu poder e construir um legado. E, mesmo o branding sendo um conceito moderno, as práticas empregadas pelos romanos para projetar uma imagem de força, legitimidade e influência podem ser analisadas sob a ótica do branding, oferecendo valiosas lições para a área. Vamos investigar a interseção entre a Roma Antiga e o branding, examinando como os romanos construíram uma "marca" poderosa e seu impacto no mundo.
Iconografia Imperial: A Marca dos Governantes
Uma das ferramentas mais poderosas de comunicação visual em Roma era a iconografia imperial, especialmente a imagem do imperador. Estátuas, bustos e moedas eram distribuídos por todo o império, garantindo que a figura do governante estivesse sempre presente, até mesmo nas províncias mais distantes. Essas representações visuais reforçavam continuamente a autoridade e legitimidade do líder, criando uma espécie de “marca imperial”.
Cada imperador criava uma "identidade visual" exclusiva, incorporando símbolos que exaltavam suas virtudes e conexão divina. Coroas de louros, a inscrição Divus (Divino) e cenas triunfais eram usadas para transmitir uma mensagem clara: o imperador era escolhido pelos deuses e garantia a prosperidade do império.

O imperador Augusto foi um dos primeiros a utilizar essa estratégia de maneira sofisticada. Ele associou sua imagem à paz e à prosperidade, adotando como se fosse seu slogan, o título de Princeps (Primeiro Cidadão) e promovendo a ideia de um “império pacificador”.
Essa narrativa foi consolidada por monumentos como o Ara Pacis (Altar da Paz), que celebrava a estabilidade e harmonia alcançadas sob seu governo.

A construção da "marca" Roma foi um processo multifacetado que envolveu diversos elementos, desde a arquitetura monumental até a propaganda política.
Arquitetura e Urbanismo: A construção de grandes obras públicas, como o Coliseu, o Fórum Romano, aquedutos e estradas demonstravam o poder técnico e econômico de Roma, além de criar uma identidade visual imponente que impressionava tanto os cidadãos quanto os povos conquistados. Essas estruturas funcionavam como "ativos de marca", transmitindo mensagens de grandeza e durabilidade.

Mitologia e Simbolismo: A mitologia romana, inspirada na mitologia grega, forneceu uma narrativa rica que legitimava a origem e o destino de Roma. Símbolos como por exemplo a Águia e a Loba Capitolina eram amplamente utilizados para representar o poder e a autoridade do Estado romano.

Propaganda Política: A propaganda desempenhou um papel crucial na construção da imagem de Roma. Através de discursos, moedas, esculturas e inscrições, os líderes romanos promoviam ideais como a "Pax Romana" (paz romana), a justiça e a prosperidade sob o domínio romano.
As moedas, em particular, funcionavam como miniaturas de propaganda, circulando por todo o império. Cada moeda era um lembrete tangível da autoridade do governante e dos valores associados ao seu reinado, criando um senso de continuidade e legitimidade em uma população diversa.
Eles entenderam o poder da imagem e da repetição. Isso é algo que a gente pode aprender muito ao trabalhar com a identidade visual de uma marca. A consistência e a conexão com os valores são essenciais.

SPQR: O Símbolo de Unidade
Roma criou marcas para seus governantes e consolidou uma identidade coletiva para o próprio Império. O conceito de SPQR Senatus Populusque Romanus (O Senado e o Povo Romano) era um dos símbolos mais reconhecíveis e poderosos da época.
Inscrito em estátuas, edifícios, moedas e estandartes militares, o SPQR representava a aliança entre o Senado e o povo, simbolizando a unidade e legitimidade do governo romano. O SPQR era digamos como um “selo de qualidade” para tudo que fosse associado a Roma, desde sua administração até sua arquitetura e sistema legal.
Esse símbolo também funcionava como uma forma de propaganda. Ao conquistar novos territórios, Roma utilizava o SPQR para comunicar valores como civilização, justiça e superioridade cultural, reforçando tanto o orgulho cívico quanto a autoridade sobre os povos conquistados.
Podemos interpretar o SPQR como um precursor do que chamamos hoje de "branding institucional". Semelhante a logotipos de marcas globais, ele sintetizava valores fundamentais e unificava uma população diversa em torno de uma identidade comum.

Branding das Famílias Aristocráticas
Não eram apenas os imperadores que entendiam o poder de uma boa imagem. As famílias aristocráticas romanas também desenvolveram estratégias sofisticadas para consolidar prestígio e influência. Cada família, ou gens, criava emblemas, brasões e símbolos distintivos que representavam sua linhagem e status. Esses elementos eram exibidos em anéis, vestimentas e propriedades, funcionando como marcas visuais que comunicavam riqueza e poder.
A competição entre famílias influentes, como os Júlios e os Cipiões, incentivava a construção de legados permanentes. Essas famílias patrocinavam obras públicas, festivais e até combates de gladiadores, associando seu nome a eventos e iniciativas que perpetuavam sua fama. Ao fazer isso, elas demonstravam sua riqueza e influência, solidificavam sua reputação como benfeitoras da sociedade romana.
Esse tipo de “branding pessoal” reflete a importância da narrativa e da identidade visual na construção de conexões com o público, conceitos que continuam centrais no branding moderno.

A Roma Antiga nos mostra que a construção de identidade e a gestão de percepção são ferramentas poderosas para unificar territórios, consolidar autoridade e perpetuar legados. Assim como os imperadores utilizavam iconografia e símbolos para criar conexões emocionais e reforçar sua legitimidade, marcas contemporâneas constroem narrativas visuais e valores que conectam pessoas ao redor do mundo.

O Legado da "Marca" Roma
Influência na Cultura Ocidental
A língua latina, o direito romano, a arquitetura e as instituições romanas tiveram uma influência profunda na cultura ocidental, moldando as línguas românicas, os sistemas jurídicos e a organização política de diversos países.
Continuidade da Marca
Mesmo após a queda do Império Romano do Ocidente, a "marca" Roma continuou a exercer influência. O Império Bizantino, herdeiro do Império Romano do Oriente, manteve viva a tradição romana por mais mil anos.
Relevância para o Branding Moderno
As estratégias de construção de marca empregadas pelos romanos, como a construção de uma identidade visual forte, a comunicação consistente e a adaptação das mensagens para diferentes públicos, continuam relevantes para o branding moderno.
Nossas Reflexões

Micer Santos: Quando penso no branding e em Roma, me vem à mente como eles entenderam a importância de uma identidade forte e coerente. Eles consolidaram poder, influenciaram a percepção das pessoas e construíram legados sólidos.

Brisa Reis: Ah, isso é tão interessante! E eles usaram símbolos poderosos, como o SPQR, e a figura dos imperadores, que ajudavam a afirmar a superioridade deles. E, claro, tinha uma narrativa por trás disso, algo que unificava o império e inspirava as pessoas. O que pode ser comparado com marcas hoje em dia. Marcas como a Apple, Nike e Coca-Cola usam uma estratégia muito parecida. Elas repetem símbolos, se associam a valores fortes e criam histórias que vão além do produto em si. Elas não estão apenas vendendo um item, estão vendendo uma ideia, uma experiência.

Micer Santos: Com certeza! A identidade de uma marca é tão importante quanto a mensagem que ela transmite. E Roma é um exemplo perfeito de como o branding pode moldar uma marca, e até um império. Eles sabiam como criar uma identidade que transcendia o tempo e as fronteiras. Aprendemos com Roma que consistência, propósito e narrativa são fundamentais para qualquer marca que deseja atravessar gerações.
Direção: Micer Santos
Redação/Copywriter: Brisa Reis
Inspirações e fontes: OLIVEIRA, Francisco. História de Roma Antiga I: das origens à morte de César. Imprensa da Universidade de Coimbra, 2015. / OLIVEIRA, Francisco. História de Roma Antiga Volume II: Império e Romanidade Hispânica. Imprensa da Universidade de Coimbra 2020. / SEBESTA, Judith; BONAFANTE Larissa. The World of Roman Costume. Univ of Wisconsin Pr, 1994.
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Essa conversa não termina aqui... No próximo post falaremos da relação entre o Branding e a Idade Média.







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