Branding e a Revolução Industrial
- Micer Santos
- 18 de jun. de 2024
- 4 min de leitura
Atualizado: 9 de nov. de 2025

6º artigo da nossa série, em que compartilharemos reflexões, descobertas e diálogos relacionados ao branding. Investigando desde as civilizações antigas, como a Mesopotâmia, até as tendências que moldam o século XXI. melhore o texto
Origem das Identidades Comerciais
A Revolução Industrial foi um marco transformador na história econômica e social, criando as condições para o desenvolvimento de práticas que mais tarde moldariam os alicerces do branding contemporâneo. Com a produção em massa e a crescente competitividade nos mercados, surgiram as primeiras necessidades de diferenciar produtos e construir identidades comerciais.
Marcas que antes tinham um alcance local começaram a ganhar relevância em escala maior, tornando-se símbolos de confiança e fidelidade para os consumidores. O conceito de branding ainda não era formalizado, mas podemos identificar nesse período o início de práticas que conectavam produtos a valores de consistência, qualidade e, eventualmente, emoções.
Padronização e Consistência: A Base da Confiança
Antes da Revolução Industrial, a maior parte dos produtos era feita artesanalmente, e os consumidores confiavam no artesão ou comerciante local para garantir a qualidade do que compravam. No entanto, com a introdução da produção em massa, essa relação pessoal foi substituída por um mercado mais impessoal, onde a origem dos produtos muitas vezes era desconhecida.
Isso levou à necessidade de símbolos que garantissem consistência e qualidade, antecipando o que hoje conhecemos como marcas. A padronização emergiu como uma das inovações mais transformadoras desse período, permitindo que produtos idênticos oferecessem a mesma experiência em qualquer lugar.
Um exemplo icônico é a Colgate, fundada em 1806, começou a adotar práticas de padronização no final do século XIX, garantindo que seus produtos de higiene pessoal, como cremes dentais, fossem fabricados com a mesma fórmula, embalagem e qualidade, independentemente da localização.

Esse compromisso com a qualidade previsível e consistência transformou a experiência de consumo, e também construiu uma base sólida de confiança que permitiu à marca expandir globalmente, uma característica que se mantém até hoje.
A padronização conquistou a confiança dos consumidores, abriu caminho para a globalização das marcas, permitindo que os produtos ultrapassassem fronteiras regionais e alcançassem mercados internacionais.
Comunicação em Massa e Expansão das Marcas
Outro fator crucial na consolidação das marcas durante a Revolução Industrial foi o surgimento e a popularização de novos meios de comunicação, como jornais, revistas e cartazes. Esses avanços permitiram que as marcas alcançassem maiores públicos, promovendo seus produtos de maneira ampla e estratégica.
Um dos exemplos mais notáveis desse período é a Coca-Cola, fundada em 1886, embora inicialmente comercializada como uma bebida refrescante e medicinal. Desde seus primeiros anos, a empresa utilizou anúncios impressos para associar sua bebida à funcionalidade, e a valores como frescor, prazer e convívio.
Essas campanhas além de aumentarem as vendas, também estabeleceram a Coca-Cola como um símbolo cultural, uma prática que definiria o branding no século XX.

A Revolução Industrial, portanto, criou novos produtos, novas formas de contar histórias sobre eles. A publicidade começou a consolidar o papel das marcas como promotoras de valores e estilos de vida, indo além da mera venda de mercadorias.
Marcas e Valores Emocionais: Além da Funcionalidade
Durante a Revolução Industrial, algumas marcas começaram a transcender a funcionalidade de seus produtos ao associá-los a valores emocionais e identitários. A Cadbury, fundada em 1824, é um exemplo notável. Não se limitando a produzir só chocolates de qualidade, a marca incorporou princípios éticos em suas práticas empresariais, promovendo boas condições de trabalho e associando seus produtos a gestos de felicidade e bem-estar.
Os fundadores da Cadbury, membros da comunidade quacre, incorporaram princípios éticos em suas práticas empresariais, promovendo boas condições de trabalho e posicionando a empresa como uma marca confiável e "moralmente superior".
Aqui vemos as marcas começarem a se transformar em histórias, na busca de se conectarem emocionalmente com os consumidores ao simbolizarem valores e aspirações.
Além disso, a Cadbury foi pioneira no uso de embalagens personalizadas e elegantes, associando seus chocolates a presentes e gestos afetivos. Esse tipo de abordagem distribui um vínculo emocional entre o consumidor e o produto, criando um diferencial que ressoava emocionalmente com o público.

Marcas que transcendem a funcionalidade de seus produtos e se tornam símbolos culturais têm o poder de moldar comportamentos, escolhas e construir lealdade de longo prazo.
Globalização e Identidade das Marcas
A Revolução Industrial criou as bases para muitas das práticas que hoje consideramos essenciais no branding. Ao trazer padronização, comunicação em massa e globalização para o centro das operações comerciais, ela permitiu que as marcas começassem a se destacar como símbolos de qualidade, consistência e, eventualmente, conexão emocional.
Avanços tecnológicos, como ferrovias e navios a vapor, permitiram que produtos fossem transportados para mercados internacionais. No entanto, a globalização exigia mais do que transporte; ela dependia da consistência.
Marcas como a Coca-Cola e a Colgate entenderam rapidamente que a padronização era a chave para o sucesso global. Uma embalagem reconhecível, uma fórmula confiável e uma narrativa emocionalmente coerente permitiram que essas marcas fossem identificadas e valorizadas em qualquer lugar do mundo.
A capacidade de construir confiança e criar narrativas significativas não é apenas uma característica do branding contemporâneo, mas uma prática enraizada em séculos de evolução comercial. Hoje, essas lições continuam a moldar a maneira como marcas se conectam com consumidores em um mundo globalizado e emocionalmente conectado.
Nossas Reflexões

Micer Santos: Brisa, você viu como na Revolução Industrial inspirou o branding moderno? Foi nesse período que as marcas deixaram de ser apenas identificadores de produtos e passaram a se tornar pontes entre funcionalidade e emoção, conectando mercadorias às aspirações humanas. A padronização trouxe confiança, a publicidade deu uma voz poderosa às marcas e a globalização abriu portas para que elas alcançassem o mundo todo.

Brisa Reis: Sim, Micer. Esses avanços transformaram produtos em algo muito maior: símbolos culturais que influenciam escolhas, moldam comportamentos e até ajudam a construir identidades. O mais fascinante é que o legado da Revolução Industrial continua vivo até hoje, nos mostrando que marcas são mais do que ferramentas de comércio, são narrativas que conectam pessoas, histórias e culturas, deixando um impacto que resiste ao tempo.
Direção: Micer Santos
Redação/Copywriter: Brisa Reis
Inspirações e fontes: WINER, Russell; NESLIN, Scott. The History of Marketing Science. Publisher: World Scientific Publishing Company, 2023.
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Essa conversa não termina aqui... No próximo post falaremos do Branding Emocional, na Era da Pós-Modernidade.







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