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Branding e a Revolução Industrial

Atualizado: 9 de nov. de 2025


Revolução Industrial Representação - Imagem gerada com IA Photoshop l Estúdio Micer
Revolução Industrial [Imagem gerada com Photoshop IA] RECIM - Revela blog

 artigo da nossa série, em que compartilharemos reflexões, descobertas e diálogos relacionados ao branding. Investigando desde as civilizações antigas, como a Mesopotâmia, até as tendências que moldam o século XXI. melhore o texto

Origem das Identidades Comerciais


A Revolução Industrial foi um marco transformador na história econômica e social, criando as condições para o desenvolvimento de práticas que mais tarde moldariam os alicerces do branding contemporâneo. Com a produção em massa e a crescente competitividade nos mercados, surgiram as primeiras necessidades de diferenciar produtos e construir identidades comerciais.


Marcas que antes tinham um alcance local começaram a ganhar relevância em escala maior, tornando-se símbolos de confiança e fidelidade para os consumidores. O conceito de branding ainda não era formalizado, mas podemos identificar nesse período o início de práticas que conectavam produtos a valores de consistência, qualidade e, eventualmente, emoções.


Padronização e Consistência: A Base da Confiança


Antes da Revolução Industrial, a maior parte dos produtos era feita artesanalmente, e os consumidores confiavam no artesão ou comerciante local para garantir a qualidade do que compravam. No entanto, com a introdução da produção em massa, essa relação pessoal foi substituída por um mercado mais impessoal, onde a origem dos produtos muitas vezes era desconhecida.


Isso levou à necessidade de símbolos que garantissem consistência e qualidade, antecipando o que hoje conhecemos como marcas. A padronização emergiu como uma das inovações mais transformadoras desse período, permitindo que produtos idênticos oferecessem a mesma experiência em qualquer lugar.


Um exemplo icônico é a Colgate, fundada em 1806, começou a adotar práticas de padronização no final do século XIX, garantindo que seus produtos de higiene pessoal, como cremes dentais, fossem fabricados com a mesma fórmula, embalagem e qualidade, independentemente da localização.


Creme dental de tubo dobrável da Colgate.
Creme dental de tubo dobrável da Colgate. RECIM - Revela blog

Esse compromisso com a qualidade previsível e consistência transformou a experiência de consumo, e também construiu uma base sólida de confiança que permitiu à marca expandir globalmente, uma característica que se mantém até hoje.


A padronização conquistou a confiança dos consumidores, abriu caminho para a globalização das marcas, permitindo que os produtos ultrapassassem fronteiras regionais e alcançassem mercados internacionais.


Comunicação em Massa e Expansão das Marcas


Outro fator crucial na consolidação das marcas durante a Revolução Industrial foi o surgimento e a popularização de novos meios de comunicação, como jornais, revistas e cartazes. Esses avanços permitiram que as marcas alcançassem maiores públicos, promovendo seus produtos de maneira ampla e estratégica.


Um dos exemplos mais notáveis desse período é a Coca-Cola, fundada em 1886, embora inicialmente comercializada como uma bebida refrescante e medicinal. Desde seus primeiros anos, a empresa utilizou anúncios impressos para associar sua bebida à funcionalidade, e a valores como frescor, prazer e convívio.

Essas campanhas além de aumentarem as vendas, também estabeleceram a Coca-Cola como um símbolo cultural, uma prática que definiria o branding no século XX.


Propagandas da Coca Cola
Propagandas da Coca Cola l RECIM - Revela blog

A Revolução Industrial, portanto, criou novos produtos, novas formas de contar histórias sobre eles. A publicidade começou a consolidar o papel das marcas como promotoras de valores e estilos de vida, indo além da mera venda de mercadorias.


Marcas e Valores Emocionais: Além da Funcionalidade


Durante a Revolução Industrial, algumas marcas começaram a transcender a funcionalidade de seus produtos ao associá-los a valores emocionais e identitários. A Cadbury, fundada em 1824, é um exemplo notável. Não se limitando a produzir só chocolates de qualidade, a marca incorporou princípios éticos em suas práticas empresariais, promovendo boas condições de trabalho e associando seus produtos a gestos de felicidade e bem-estar.


Os fundadores da Cadbury, membros da comunidade quacre, incorporaram princípios éticos em suas práticas empresariais, promovendo boas condições de trabalho e posicionando a empresa como uma marca confiável e "moralmente superior".


Aqui vemos as marcas começarem a se transformar em histórias, na busca de se conectarem emocionalmente com os consumidores ao simbolizarem valores e aspirações.

Além disso, a Cadbury foi pioneira no uso de embalagens personalizadas e elegantes, associando seus chocolates a presentes e gestos afetivos. Esse tipo de abordagem distribui um vínculo emocional entre o consumidor e o produto, criando um diferencial que ressoava emocionalmente com o público.


    Algumas das Embalagens de chocolate Cadbur's
Algumas das Embalagens de chocolate Cadbur's l RECIM - Revela blog
Marcas que transcendem a funcionalidade de seus produtos e se tornam símbolos culturais têm o poder de moldar comportamentos, escolhas e construir lealdade de longo prazo.

Globalização e Identidade das Marcas


A Revolução Industrial criou as bases para muitas das práticas que hoje consideramos essenciais no branding. Ao trazer padronização, comunicação em massa e globalização para o centro das operações comerciais, ela permitiu que as marcas começassem a se destacar como símbolos de qualidade, consistência e, eventualmente, conexão emocional.


Avanços tecnológicos, como ferrovias e navios a vapor, permitiram que produtos fossem transportados para mercados internacionais. No entanto, a globalização exigia mais do que transporte; ela dependia da consistência.


Marcas como a Coca-Cola e a Colgate entenderam rapidamente que a padronização era a chave para o sucesso global. Uma embalagem reconhecível, uma fórmula confiável e uma narrativa emocionalmente coerente permitiram que essas marcas fossem identificadas e valorizadas em qualquer lugar do mundo.


A capacidade de construir confiança e criar narrativas significativas não é apenas uma característica do branding contemporâneo, mas uma prática enraizada em séculos de evolução comercial. Hoje, essas lições continuam a moldar a maneira como marcas se conectam com consumidores em um mundo globalizado e emocionalmente conectado.


Nossas Reflexões


Micer Santos

Micer Santos: Brisa, você viu como na Revolução Industrial inspirou o branding moderno? Foi nesse período que as marcas deixaram de ser apenas identificadores de produtos e passaram a se tornar pontes entre funcionalidade e emoção, conectando mercadorias às aspirações humanas. A padronização trouxe confiança, a publicidade deu uma voz poderosa às marcas e a globalização abriu portas para que elas alcançassem o mundo todo.


Brisa Reis

Brisa Reis: Sim, Micer. Esses avanços transformaram produtos em algo muito maior: símbolos culturais que influenciam escolhas, moldam comportamentos e até ajudam a construir identidades. O mais fascinante é que o legado da Revolução Industrial continua vivo até hoje, nos mostrando que marcas são mais do que ferramentas de comércio, são narrativas que conectam pessoas, histórias e culturas, deixando um impacto que resiste ao tempo.



Direção: Micer Santos

Redação/Copywriter: Brisa Reis


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Essa conversa não termina aqui... No próximo post falaremos do Branding Emocional, na Era da Pós-Modernidade.

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