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Branding e a Mesopotâmia

Atualizado: 11 de jan.

Mesopotâmia - Imagem gerada com IA Photoshop l Estúdio Micer
Mesopotâmia [Imagem gerada com Photoshop IA] RECIM - Revela blog

Aqui damos início a uma série onde compartilharemos reflexões, descobertas e diálogos relacionados ao branding. Vamos viajar no tempo, investigando desde as civilizações antigas, como a Mesopotâmia, até as tendências que moldam o século XXI.

Raízes do Conceito de Marca


O que significa "deixar uma marca"? Antes de símbolos, logotipos icônicos, slogans memoráveis ou estratégias digitais sofisticadas, o que definia a identidade de algo ou alguém? Essas perguntas nos levaram a investigar as origens de práticas que hoje associamos ao branding e nos conectam à antiga Mesopotâmia, o berço das primeiras civilizações e de ideias que ecoam até hoje.


Embora o conceito moderno de branding não existisse, já naquela época havia práticas que atendiam a necessidades fundamentais: identidade, confiança e narrativa. Esses elementos, que hoje sustentam marcas contemporâneas, manifestavam-se, ainda que de forma rudimentar, em símbolos e ferramentas que moldaram o comércio e a cultura mesopotâmica. Isso nos mostra que a essência do que chamamos de marca é tão antiga quanto a própria civilização.


Selos Cilíndricos: A Assinatura da Mesopotâmia


Os mercadores da Mesopotâmia já buscavam formas de criar confiança e identidade no comércio. Para isso, utilizavam os selos cilíndricos: eram, na essência, carimbos de impressão pequenos e, muitas vezes, com designs incrivelmente detalhados, utilizados por todos, para autenticar transações, identificar propriedade e, acima de tudo, contar histórias. Um pedaço do passado que fala sobre esse desejo humano de se expressar e de ser lembrado.


Selo cilíndrico de lapis-lazuli com montagem original em ouro. Período Acádio.
Selo cilíndrico de lapis-lazuli com ouro. Período Acádio. 2200-2100 a.C. Tamanho: 2,6 x1,1 cm. Museu Britânico

Os selos cilíndricos surgiram no final do período neolítico, por volta de 7600-6000 a.C., na região que hoje chamamos de Síria, embora algumas fontes sugiram que seu verdadeiro berço tenha sido a Suméria, no atual Iraque, um pouco mais tarde. Eram peças minuciosamente esculpidas, feitas de materiais preciosos como mármore, obsidiana, ametista, lápis-lazúli ou até mesmo metais como ouro e prata.


Quando rolados sobre argila úmida, deixavam marcas exclusivas uma espécie de assinatura visual personalizada. Um tecelão, por exemplo, podia gravar uma aranha em seu selo, representando sua profissão. Outros selos traziam imagens de deuses, simbolizando proteção e legitimidade. Eram ferramentas funcionais mas também representações visuais que conectavam identidade, valores e confiança, conceitos que continuam no centro do branding moderno. Assim como os assinaturas visuais modernas, os selos cilíndricos eram marcas visuais, símbolos de autenticidade e conexão emocional.


Uruk e Jemdet Nasr: Marca Pessoal e Marca Institucional


Selos Cilíndricos
Selos Cilíndricos l RECIM - Revela blog

De acordo com o arqueólogo Hans Nissen, citado por Lewis e Feldman, os selos cilíndricos desempenhavam funções distintas, dependendo de seu estilo. Os selos de Uruk eram únicos e associados a indivíduos, funcionando como assinaturas pessoais. Eram usados para autorizar transações ou controlar o armazenamento de mercadorias. Esses selos, extremamente detalhados, eram normalmente produzidos para a elite administrativa, destacando status e exclusividade.


Já os selos de Jemdet Nasr estavam mais ligados a instituições, como templos ou organizações. Por representarem coletivos, esses selos utilizavam padrões repetitivos e não exigiam tanta personalização. Aqui percebemos uma relação com as bases do branding institucional, cujo foco está na força coletiva e nos valores compartilhados.


Essa distinção reflete, os dois grandes pilares do branding contemporâneo: a marca pessoal (individual), que foca na autenticidade individual, e a marca institucional (coletiva), que reflete o propósito de organizações e empresas.


Identidade, Autenticidade e Narrativa

Rei-sacerdote alimentando cordeiro sagrado, Uruk. Cerca de 3300 a.C. Vorderasiatisches Museum, Berlim.
Rei-sacerdote alimentando cordeiro sagrado, Uruk. Cerca de 3300 a.C. Vorderasiatisches Museum, Berlim.

Podemos traçar paralelos interessantes entre os selos cilíndricos da antiguidade e o conceito moderno de branding, especialmente nos pilares de identidade, autenticidade e narrativa. Os selos cilíndricos iam além de uma função prática eles contavam histórias sobre seus proprietários, criando vínculos emocionais. Essa mesma essência continua central no branding contemporâneo.

Marcas como Disney e Nike exemplificam essa ideia. A Disney transforma cada animação em uma narrativa cuidadosamente construída para emocionar e inspirar, enquanto a Nike utiliza histórias de superação para criar conexões profundas com seus consumidores. Essas marcas não estão focadas em apenas oferecer produtos; elas investem em criar experiências e valores que ficam gravados na memória e no coração das pessoas. Assim como os selos da Mesopotâmia, marcas que buscam construir histórias autênticas e significativas são aquelas que não serão esquecidas.


A Influência da Mesopotâmia no Branding Contemporâneo


Selo cilíndrico da Era Cassita com sete linhas de inscrições em cuneiforme, ao lado de um deus. Tamanho: 3,6 x 1,5 cm. Museu Britânico. N° 130697
Selo cilíndrico da Era Cassita com sete linhas de inscrições em cuneiforme, ao lado de um deus. Tamanho: 3,6 x 1,5 cm. Museu Britânico.

Os selos cilíndricos, feitos de materiais duráveis, simbolizavam permanência em um mundo incerto uma característica que continua a ser um objetivo central para as marcas contemporâneas. Empresas como Apple e Nike, por exemplo, usam símbolos e logotipos icônicos para criar uma impressão de solidez e atemporalidade, da mesma forma que os selos representavam estabilidade na Mesopotâmia.


Um dos papéis do branding é garantir esse vínculo de confiança, dando às marcas a capacidade de expressar, de forma clara e consistente, seus valores e propósitos.

Quando uma marca consegue cumprir essa promessa, ela vai além da simples transação comercial e se torna parte da vida das pessoas. Não estamos falando apenas do que se compra, mas sobre o que aquela escolha representa. E, no fim das contas, isso é o que dá força a qualquer marca: a capacidade de deixar uma marca no mercado, e também no coração de quem acredita nela.


Podemos perceber algumas semelhanças interessantes entre os selos personalizados da antiguidade e o branding atual:


Identidade visual: Tanto os selos antigos quanto os símbolos, logotipos e elementos visuais das marcas de hoje têm como objetivo estabelecer uma associação exclusiva e marcante na percepção de quem os observa.


Autenticidade: A valorização da autenticidade é um ponto comum entre ambos. Enquanto os selos antigos garantiam a legitimidade de produtos e acordos, as marcas modernas se esforçam para construir uma imagem genuína e confiável.


Narrativa: A habilidade de contar histórias conecta duas épocas. A história gravada em um selo, assim como a mensagem de uma marca, tem o poder de criar vínculos emocionais e estabelecer uma conexão mais profunda com as pessoas.


Selo no estilo Uruk. Em cima da figura humana e animal são claramente notados sinais de identificação. Período Acádio. Cerca de 2250–2150 a.C. 2,8 cm de altura. MET. N° 41.160.192.
Selo no estilo Uruk. Em cima da figura humana e animal são claramente notados sinais de identificação. Período Acádio. Cerca de 2250–2150 a.C. 2,8 cm de altura. MET. N° 41.160.192.

Nós identificamos outros elementos que hoje associamos ao conceito de branding em práticas que iam além dos selos cilíndricos. Os zigurates, por exemplo, eram templos monumentais que simbolizavam poder, estabilidade e a grandeza das cidades-estados de forma semelhante ao que as sedes icônicas de grandes empresas modernas representam para suas marcas.


Outro aspecto interessante é o Código de Hamurabi, uma das primeiras coleções de leis da história, que estabelecia padrões de qualidade e promovia confiança nas interações comerciais. Essa busca por regulamentação e transparência lembra o papel que certificações e práticas éticas desempenham nas marcas contemporâneas.


Além disso, os artefatos mesopotâmicos, com seus padrões visuais e simbólicos, ajudavam a reforçar narrativas culturais e a criar uma identidade visual marcante para as cidades-estados. Elementos estes que comunicavam valores e conectavam as pessoas a uma história compartilhada, algo que ressoa com o papel do design e da comunicação visual no branding atual.


Vídeo YouTube - The Met @metmuseum

Reflexões


Micer Santos

Micer Santos: Eu fico pensando que, embora o branding como conhecemos hoje não existisse na Mesopotâmia, e associá-lo a tempos antigos exigisse um olhar contextual, não dá para negar que seus princípios fundamentais já estavam presentes. Vimos que os selos cilíndricos, por exemplo, eram ferramentas de identificação, mas também carregavam simbolismo, identidade, autenticidade e narravam histórias.🏺📜✨


A forma que os mercadores e artesãos tinham de mostrar quem eram e porque mereciam confiança. E se você reparar, os elementos essenciais de uma marca bem-sucedida já estavam todos ali, mesmo que de forma rudimentar. Me impressiona como, mesmo milhares de anos depois, a essência do branding continua a mesma. Desde os primeiros passos da civilização as pessoas já buscavam formas de se destacar e de construir confiança.


Hoje, no mercado digital ou em campanhas modernas, o desafio é o mesmo: criar uma narrativa que conecte com as pessoas e resista ao tempo. Como na Mesopotâmia, o branding não é só sobre produtos ou assinatura visual, é sobre identidade, reputação e valores.

No fim, o objetivo acaba sendo sobre dar significado e deixar uma marca no coração das pessoas.


Como sua marca está criando significado e relação onde tudo está em constante transformação?



Direção: Micer Santos

Inspirações e fontes: Anna Glenn: Pigtailed Women, Johns Hopkins Archaeological Museum. / BERTMAN, Stephen. The Handbook to Life in Ancient Mesopotamia. Publisher: Oxford University Press, 2005. / NISSEN, H. J. The Early History of the Ancient Near East, 9000–2000 B.C. Publisher: University of Chicago Press, 1990. / MEGAN Lewis; MARIAN Feldman. Cylinder Seals and the Development of Writing in Early Mesopotamia, by Joshua J. Mark / PRITCHARD, J. B. The Ancient Near East, Volume I. Publisher: Princeton University Press, 1992. / Cylinder Seals and the West Semitic Research.

www.archaeologicalmuseum.jhu.edu / www.dornsife.usc.edu / www.worldhistory.org / www.nationalgeographic.com / www.apaixonadosporhistoria.com.br


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Essa conversa não termina aqui... No próximo post falaremos da relação entre o Branding e o Egito.

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